Liberdade de Imprensa – Temos que pensar a respeito

Black Mirror – White Bear (Temp. 2×02)

Qual a relação entre a Liberdade de Imprensa, o Reitor da UFSC e o Black Mirror? O tema central é a espetacularização da “justiça”.

Um tema que cada vez mais em pauta a ser discutido em sociedade, mas cadê o interesse? Pois é, o maior interessado desse assunto é a sociedade – e o maior DESinteressado é a mídia popular.

Introdução

  • Queremos Justiça!
  • Que se faça Justiça então!… seja lá o que quer dizer isso.

A imprensa tem um importante papel na sociedade, que é veicular as principais notícias da sociedade para a sociedade, entretanto, quem é que define o que é importante a ser noticiado?

Infelizmente a tortura – física e moral – nunca foi banida da nossa sociedade, toleramos ela de diversas formas, uma delas é não regular e limitar a liberdade de imprensa – principalmente da imprensa privada.

Por quê? Simplesmente porque quando não se tem um limite ético estabelecido pela própria sociedade, fica a critério da mídia induzir como bem lhe convir ao que a sociedade deve acreditar, ao que a sociedade deve aceitar e, ao que a sociedade deve “naturalizar”.

Processo e Imprensa

O processo judiciário está longe de ser perfeito e confiável – devemos desconfiar das instituições constantemente, seja ela pública ou privada -, porém, jornalistas no geral não compreendem o que é o direito e o processo judicial, e em breves linhas entrevistam “especialistas” que nunca conseguem traduzir o juridiquês para a sociedade (outro problema que será abordado)

Todos conhecem aquela máxima: – “Inocente até que se prove o contrário.” E é este um dos princípios do processo penal, ninguém será condenado antes do trânsito em julgado, que é a decisão final do sistema penal. (Segunda Instancia de Processo – Tribunal)

A mídia faz disso um lucro sem investir um “puto”. O correto seria no mínimo veicular notícias penais após o trânsito em julgado, pois assim seria de fato um repasse de informação e não uma indução.

Indo direto ao X da questão

O ex-reitor da UFSC Luís Carlos Cancellier de Olivo (foto principal), fora conduzido de forma questionável pela Polícia Federal a partir de uma denúncia no MP que deu início nas investigações de desvio de verba dos cursos EAD. De cara ele foi escrachado de CORRUPTO, sem mais delongas, sem críticas, sem nenhum questionamento PLAUSÍVEL da imprensa local. No final das contas a imprensa teve muitos “views”, ganhou espaço por veicular mais um “escanda-lo” e de quebra naturalizar a corrupção.

Curiosamente nos últimos meses a corrupção virou um investimento diário, condenando antes mesmo que o juiz/desembargador/ministro possa ter dado suas conclusões – lembrando que a decisão do juiz/desembargador/ministro deve ser MOTIVADA, FUNDAMENTADA dentro da legalidade (juridiquês).

Transformar a “justiça” num show de caçada as bruxas (inquisição) antes mesmo de ter todos os fatos esclarecidos – na medida do possível – é um investimento de baixo custo e grande lucros. Não é de hoje que se vê tal conduta, Sócrates e a Cicuta, Forca, Guilhotina, Fogueira etc., “justiça” em praça pública sem que de fato fosse exposto as questões, os fatos a serem debatidos em sociedade, encarregado por uma instituição – mais uma vez, pública ou privada – de dizer a “VERDADE” ao povo, e este se deliciar com o show de massacre físico e moral. Tudo isso livremente sem nenhuma lei ou repressão social contra essa espetacularização! Ser a favor da regulamentação da liberdade de imprensa não é ser contra a liberdade, pelo contrário, é ser a favor que essa LIBERDADE seja conduzida pela RESPONSABILIDADE.

Conclusão

A falta de um ideal de responsabilidade que a liberdade lhe impõem causou a morte de alguém que, indiferente do mérito da acusação, era alguém que poderia contribuir muito mais para sociedade.

É com horror ao suicídio, à imprensa que escrevo isso. Horror acima de tudo da sociedade que está cada vez mais doente, naturalizando a crueldade, a barbárie… estamos encaminhando essa sociedade a segunda Idade das Trevas e nem se quer estamos percebendo.
(Obs: esse artigo não visa nenhum tipo de academicismo, pedantismo. Visa apenas levantar a questão e se comunicar com o senso comum de uma forma direta e mais simples possível.)

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