A perpetuação da miséria e da marginalização: Atos contra-aborto

Como o título é explicito, vou abordar fatores que perpetuam a miséria/pobreza e a marginalização dos grupos sociais de risco e hipossuficientes.

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Não tenho a pretensão de demonstrar objetivamente em dados, e sim uma reflexão LÓGICA para o tema. Não é falta de zelo ou rigor metodológico, também não tenho a intenção de ser um hipócrita da ciência ou um universitário “academizado”. Escrevo para o senso comum, para as pessoas comuns, sem interesses partidários ou políticos!

Então, depois dessa breve justificativas vamos ao que interessa, afinal, por que ser contra o aborto estaremos contribuindo para a perpetuação da miséria/pobreza e marginalização?

Antes de responder essa pergunta, devo fazer uma distinção importantíssima que não se ensina nas escolas – e deveriam!

Papel Individual vs Papel Cidadão/Coletivo

Como individuo/pessoa posso defender o indefensável no âmbito PRIVADO das minhas relações. Entretanto vivemos numa “democracia”, onde pressupõem limites de pensamentos. Por exemplo: ninguém é obrigado a gostar de ninguém, não existe lei que obrigue a isso, entretanto, existe limitações legais que impede de sermos autoritários e auto-destrutivos e até mesmo injustos. Onde está escrito isso? Na Constituição Federal da República Federativa do Brasil. Então, resumidamente, não sou obrigado a gostar de ninguém, mas sou obrigado a RESPEITAR.

Já como cidadão, exerço minha cidadania na legitimação das aquisições de direitos coletivos, que TAMBÉM são meus. Pense da seguinte forma, direitos é a extensão da liberdade pública e coletiva nas relações de uns para com os outros, ensejando obrigações legais e/ou critérios legais a serem preenchidos para o exercício desse direito. Direito não obriga ninguém a exerce-lo, apenas lhe possibilita exercer.

Então, vamos exercitar a cidadania: eu como Pessoa/Individuo posso ser CONTRA o aborto, basta eu não faze-lo, como CIDADÃO eu não posso deslegitimar a liberdade do outro que é A FAVOR do aborto, por meras convicções pessoais, políticas ou religiosas. Que direito eu tenho de interferir no direito do outro? – Devemos pensar sempre como via de mão dupla, ao deslegitimar o outro, EU me deslegitimo também, e assim contribuímos para criar muros e isolamento, em detrimento da união fraternal.

O Aborto

Mas afinal, qual é o problema? Moral? Religioso? Social?

Quem é ferido ao executar o aborto? Será que ele realmente é imoral ou amoral?

Vamos seguir os passos do Jack Estripador, vamos por partes! Bato na tecla de que somos todos hipócritas, a sociedade é hipócrita. Se a mãe correr risco de vida o aborto pode ser permitido, afinal, qual a probabilidade de um bebê sobreviver e uma mãe poder ter outros filhos? Essa pergunta retórica nos traz raiva ao mesmo tempo que indignação e reflexão sobre a veracidade do que foi dito…

As pessoas que gritam contra a liberdade de abortar são hipócritas da seguinte maneira:

  1. Falam que são a favor da vida que nem nasceu, mas esquecem de todas as demais que estão vivendo no sofrimento e na miséria – e não fazem nada por essas “vidas”;
  2. Em regra, salvo exceções, são as mesmas que lutam contra a equidade sexual e de gênero;
  3. Seus fundamentos se baseiam, novamente, em regra, na religião e no achismo pessoal do ego.

Miséria e Pobreza

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Pode crer que essa foto é no Brasil. E você pensará como isso é possível… será que essas pessoas tem acesso à informação, à prevenção, à saúde etc.? Aposto que não.

O grande problema, ao meu ver, é pouco por parte da prevenção e mais por parte da conscientização. Lembrando que para conscientizar tem que formar (educar), se passo necessidades meu impulso é sanar essas necessidades e não me educar para melhor soluciona-las, isso é regra! Quem passa fome, mora na rua etc etc etc quer sanar essas necessidades e diante disso está sujeita a tudo. (Um ótimo livro que nos traz empatia é o Crime e Castigo de Fiódor Dostoiévski)

A perpetuação dessa condição se dá por essa relação de NECESSIDADE, se torna um ciclo vicioso e interminável, sendo raras exceções anunciadas nas mídias como regra ou história de “superação”, como se todos tivessem as mesmas capacidades, as mesmas trajetórias de vida, e por aí vai. É necessário que a instrução chegue a esses lugares, que são casos extremos, e consequentemente se necessário uma solução prática como o aborto e a sua prevenção posteriormente. E nos casos medianos e comuns, como gravidez indesejada, por qualquer motivo que seja, que se tenha alternativas que não coloquem a curto-longo prazo a vida da mulher. Curto prazo porque, infelizmente, nas condições sociais do Brasil, criar um filho é o mesmo que se sacrificar de tudo para poder dar algo mínimo para a criança, a longo prazo porque uma mulher que teve que abrir mão de tudo não terá condições para dar a melhor formação pro filho, isso quando o pai não a abandona para criar sozinha! E isso é um fato comum e cotidiano, acontece independente do que “você acha” ou do que “você acredita”.

Em resumo, pouca formação/educação, muito sacrifício, pouca atenção para essa vida (meio que não-vida) para no fim multiplicar a condição indigna socialmente por uma hipocrisia moral, e muitas vezes, religiosa.

Se és contra, não pratique, separando-se o joio do trigo. Mas não tire a liberdade/oportunidade de alguém abortar, talvez se tiver políticas públicas ativas, ganhar instrução, formação e educação e futuramente, a longo prazo, dar uma melhor condição de vida para os futuros filhos…

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