Como um peixe fora d’água

Hoje pela manhã, pouco depois dos primeiros raios do Sol, fui à praia caminhar. Sol que transmitia as 6 da manhã um calor, que ao meu ver, já era exagerado para tal hora do dia.

Ao caminhar me deparado com pescadores puxando tarrafa, uma pesca relativamente pequena para o porte da rede. E ali parei para observar a rede sendo puxada da água para areia, os peixes se contorcendo, outros já inanimados se mantinham com grandes olhos que nunca se fecham.

Pude perceber que ao termino das fortes puxadas para tirar a rede, os pescadores puseram-se a separar os peixes da rede, que ali preso, sem noção da própria prisão, sem consciência de que sua prisão levaria a sua morte, próxima.

Não obstante, ao separar os peixes da rede, eram lançados ou na areia ou numa caixa, ainda vivos, como se fossem apenas um objeto da qual, sem interesse, sem respeito ou sem importância, passa pela seleção e são lançados a determinadas pilhas.

Ainda que involuntário, não pude deixar de pensar, o peixe não produz nenhum som audível aos nossos ouvidos, talvez nem expressões corporais perceptíveis aos nossos padrões antropocêntricos de comunicação não verbal. Mas pude sentir que ali sofriam, asfixiavam-se, eram meros objetos de consumo, compra e venda.

E por alguns instantes imperceptíveis a serem mensurados no tempo e no espaço, pude contemplar quase que um olhar tão íntimo e próprio dessa relação, desse fenômeno associando-se as minhas memórias e reflexões passadas que voltam a baila.

As vezes nos sentimos como um peixe, inconsciente do que nos ocorre e instintivamente, nos pomos a continuar a nadar, desperdiçando nossas forças. Sem mais sem menos, somos tirados do nosso ambiente de conforto, sentimos asfixiado pela nova realidade e por fim, não vemos que o nosso fim estava mais próximo do que pensávamos.

Talvez em minhas crenças limitantes, eu me torne um peixe, que tolo crê que a persistência, a insistência irá me libertar delas, como redes que não se rompem a quaisquer investida. Talvez eu continue sendo um peixe, nas relações das quais inconsciente me ponho a nadar, por fim, reiteradamente sou posto para fora da minha zona de conforto, asfixio e morro, como um peixe fora d’água…

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