O Mundo: conduzido a base do Apelo à Força, à Autoridade, à Piedade e ao Populismo

Introdução

Nos discursos políticos, principalmente; nos diálogos – quase que monólogos – do dia a dia, secundariamente; na representação e exposição dos problemas sociais e seus paradigmas e dilemas, somos soterrados das famosas (nem tanto) falácias!

Mas o que são Falácias? São erros de raciocínio que aparentemente parecem ser corretos e/ou válidos. E o que eu tenho a ver com isso? O que muda na minha vida saber disso? 1º temos tudo a ver com isso, somos manipulados, persuadidos e até mesmo levados ao erro sem que possamos pensar criticamente; 2º muda o tanto que liberdade que você irá dispor nas suas escolhas.

Apelo à Força

Apelo à Força (argumentum ad baculum) é a falácia que se utiliza de ameaças ou imposições da qual se não fazer o que se propõem terá consequências “terríveis”. Essas são frequentes em muitos políticos com viés conservador e/ou tradicionalistas. Por exemplo, quando um político é a favor da pena de morte, além dele desconsiderar a capacidade humana de se ressocializar, de se reeducar é seguido do seguinte argumento:

“Bandido bom é bandido morto, do contrário ele voltará a delinquir.” – Bem isso isso é um argumento de força que diz caso não matarmos um bandido ele voltará a delinquir, com uma dose (pesada) de determinismo desconsiderando fatores externos ao indivíduo, como qualidade de vida, bem-estar, oportunidades, qualificação, estudo, meio na qual ele está inserido, discriminação e exclusão social etc. Todos esses fatores são externos ao ser, ele não os controla de forma direta como a própria vontade – o que também é questionável – a forma com a qual ele interpreta os fenômenos que lhe acontecem etc.

Outro argumento de forma é muito comum nos meios religiosos, como por exemplo: “Deus abomina o pecado, aquele que peca irá para o inferno!” – primeiro teríamos que questionar o que é pecado e o porque que assim é considerado, segundo o contexto histórico que foi conceituado tal conduta/prática como pecado e o contexto atual etc. Induzir alguém a ter determinada conduta em prol de NÃO ser punido por comete-la é uso de força, uma carga histórica de viés punitivista muito presente em nossa sociedade e LEGITIMADA! O que é um absurdo do ponto de vista ético e intelectivo em nossa espécie.

Apelo à Autoridade

Está é muito frequente, citar um autoridade, alguém que é aparentemente qualificado para opinar sobre determinado tema de forma que desqualifique o argumento/proposição contrária. É usar a qualificação de outrem como se fosse um profeta que diz a verdade absoluta. Muito comum entre os seguidores de Olavo de Carvalho (até o ele mesmo é o senhor das falácias). Ter qualificação, estudo, entendimento sobre o assunto não lhe torna percursor da verdade absoluta. Os fenômenos são tão complexos e múltiplos que tendem a variar seus acontecimentos. Por exemplo, uma determinada sociedade irá agir de forma “x” diante de tal problema do que outra sociedade na qual nenhum especialista pode afirmar com total segurança como ela poderá reagir, ele no máximo dá indícios. Por exemplo a criminalidade, é um fenômeno social da qual cada sociedade tem suas justificativas para o acontecimento de tal fenômeno e aparentemente dão suas devidas providências para tentar solucionar tal patologia social. Enquanto umas investem em educação e cultura, outras, defendem o discurso de genocídio da pobreza… (te lembra alguém?)

Apelo à Piedade ou Misericórdia

Ahhh os advogados que se cuidem! Apelo à piedade ou a misericórdia (argumentum ad misericordiam) é muito utilizado em oratória de advogado (e políticos também – ele rouba mas faz). É o tipo de falácia que legitima tal conduta por desconsiderar a questão, por fugir dela. Por exemplo: “Ele matou um bandido! Mas é um bom pai de família, um marido exemplar, é cristão!” – isso é um argumento totalmente inválido – e banal -, em suma o cidadão “de bem” tem condutas legitimadas por ser cidadão “de bem”, fugindo da questão em voga para dissuadir aqueles que o julgam, impondo um aspecto emocional que minimize ou desqualifique qualquer acusação. Outro exemplo é muito usado nos casos de “legítima defesa”, legítima defesa é um instituto abstrato para viver em sociedade, da qual sem ele o Estado não conseguiria justificar sua incapacidade de administrar a sociedade. Serve para interromper ou repelir a violação de direitos no momento presente, mas a partir do momento que este cessa não cabe mais “defesa” passa a ser agressão. Por exemplo, alguém me ameaça com uma faca e eu o imobilizo, subtraio a faca de sua mão e começo a esfaqueá-lo, a defesa cessou a partir do momento que o imobilizei e subtrai o objeto perfurocortante, a partir daí é agressão. Sou ameaçado com uma arma, subtraio a arma da mão do agente e ele corre, e eu começo a atirar nele, a partir do momento que o agente não me oferece perigo começa a agressão. Ou ainda que eu subtraia a arma do agente e ele tenta me agredir e eu lhe desfiro um tiro que o mata – ao meu ver é legítima defesa, muitos ainda sim consideram homicídio culposo. Tudo isso são situações que num julgamento cabe o apelo à piedade.

Apelo ao Populismo (Povo)

Esse é bom discutir SEMPRE! Jair Bolsonaro, Lula, Marco Feliciano, Malafaia, todos senhores das falácias e uso frequente do Populismo. Apelo ao Povo (argumentum ad populum), chamo-o de ao populismo, é utilizar a opinião da maioria como verdade absoluta, se muitos querem pena de morte, que assim seja, amém! SÓ QUE NÃO! O nome que se dá a esse tipo de conduta é ditadura da maioria (Alexis de Tocqueville, A Democracia na América), depois dessa citação, deixo com vocês a pulga atrás da orelha para pesquisar e compreenderem tal fenômeno. Será que a maioria ou muitos estão certos?

Conclusão

Para concluir digo: – O mundo é conduzido, levado a rebanho por falácias, sejam elas paralogismos ou sofismas, todos nós estamos sujeitos – caso não compreenda tal fenômeno – a ser dissuadido e a cometer tal equívoco. Deixo com vocês uma indicação de leitura – Alexis de Tocqueville, um autor considerado liberal que veio para a América em 1831 para estudar o sistema penitenciário norte americano, maravilhado com o desenvolvimento democrático, dedicou-se a estuda-lo e descreve-lo e “revelar” seus perigos. Como um professor meu de ciência política o chamou: “Foi um mago da política!”

 

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