Da Finitude – A Alegria

Nada melhor do que um relógio para simbolo da finitude.

Mas afinal, o que é essa tal de “finitude”? É a característica de algo finito, que por si só tem fim, acaba. E como qualquer coisa de um mundo finito, não há nada que possa ser eterno neste plano existencial.

Sem dúvidas a alegria é um sentimento finito por excelência!  A alegria começa e acaba no mesmo instante que o momento que a origina se finda. Alguns podem questionar que a alegria não é felicidade, enquanto aquela de fato é momentânea, a felicidade é absoluta no espaço-tempo pela qual ela se originou. Exemplo: a alegria de se formar na faculdade é momentânea, mas a felicidade de estar formado é permanente e transcende o espaço-tempo do ciclo que se originou -se formar.

A alegria é um sorriso, a felicidade é um sentimento. Mas por que a alegria não é tão alegradora? Afinal, momentos alegres em tempos de desespero e desamparo tornam-se justificativa para o caos. Transforma-nos em meros fantoche do acaso, faz com que um ente querido se torne odiado, que um momento que era para ser de felicidade se torne depressivo, despreciando e tirando-lhe qualquer valor subjetivo da experiência momentânea.

As vezes penso que a alegria é apenas um apego moral ao presente, onde a cultura lhe exige estar alegre constantemente. Não tem vez para tristeza, quem dirá melancolia!

Basta chegar em seu emprego as 6-8 horas da manhã de uma segunda-feira, olhar feio e sinal de perseguição, não querer interagir geralmente é seguido daquela velha frase do seu chefe no fim do dia: – Você não tem o perfil da empresa.

Quem diria tanta tecnologia nos deixou cada vez menos humanos, amizade antes era na alegria na tristeza, na saúde e na doença, na riqueza ou na pobreza… hoje, puff…

A alegria só existe em um universo paralelo, onde o velho bordão humanitário – Liberdade, Igualdade e Fraternidade – existe de verdade, hoje é cada um por si e deus por todos… e quem não acredita em um ser superior, metafísico… ta lascado! Nem Nietzsche seria capaz de transformar alguém no Super-Homem.

A realidade – artificial que criamos – cada vez mais nos separa. A alegria se bastava em poder compartilhar momentos, sejam eles quais forem, mas com quem for. A felicidade era apenas o estado, seja ele imaginativo, contemplativo, uma lembrança, talvez, já era o suficiente. Agora é um carro um novo na virada do ano, sexo regular, até sustentar um status de religioso bondoso, mas que pouco se importa com os empregados, amigos, mendigos ou quem quer que seja.

Pois é, a alegria deixou de ser alegre.

OBS: Não se matem após ler, ainda pode haver alegria e felicidade, e elas se encontram na mudança e nas possibilidades que a mudança pode trazer. Pense, reflita, a realidade pode ser dura, mas podemos ser FLEXÍVEIS!

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