Afeto e Sexo, Sexo e Afeto

Essa reflexão está fundamentada em como nosso sociedade idealiza o sexo e o amor numa relação afeto-sexo e sexo-afeto, ou seja, a relação que determina que afeto está vinculado a sexo, e que sexo é simbolo de vinculo afetivo (por vezes…).

Começo a refletir que quase sempre presente em filmes, literatura, jogos etc. tem a correlação de sexo e amor. Uma expressão clara dessa situação é o jargão “vamos fazer amor” simbolizando o ato sexual.

Vejamos, o sexo, em nossa espécie, tem duas funções: uma recreativa como interação social, outra, reprodutiva, no aspecto biológico. Outras espécies apresentam o mesmo aspecto, como nossos “primos” primatas, chipanzés, bonobos. Outras espécies, como a dos golfinhos, alguns felinos etc. também praticam sexo recreativamente.

Porém, nós humanos, correlacionamos o amor e o sexo de forma muito peculiar, exercendo uma, possível, terceira função: felicidade e fidelidade. Afinal, por que sexo se torna causa e efeito de felicidade e fidelidade? Para os gregos, felicidade só era felicidade se compartilhada, ainda presente na nossa sociedade, e ainda mais com o advento da internet onde todos postam aqui e ali felicidade, por vezes, falsa felicidade.

Mas ainda fica as perguntas: Por que a exclusividade sexual remete a fidelidade? Não existe afeto sem sexo? Ou não existe afeto sem exclusividade sexual? Ou até mesmo, não existe real afeto sem haver sexo?

Obviamente o sexo e sua interação se tornou banal e vulgar, se pratica sexo mesmo sem afeto, e por vezes o afeto não vinga sem o sexo. ESTRANHO!

Sexo é uma forma prazerosa, seria hipócrita ao negar isso. Mas por que DIABOS relacionamos o amor ao sexo? Não faz sentido, sentir-se amado ou amar não necessariamente requer sexo!

O amor romântico é uma expressão genuína e excepcional do nosso espirito, onde o sexo é apenas, e somente, assessório, não é engrenagem principal de um relacionamento. O amor romântico está mais relacionado ao dialogo, a cumplicidade do que a performance sexual.

Imagine só se essa exclusividade sexual não implicasse a exclusividade AFETIVA! Exatamente, creio que além de correlacionarmos sexo ao amor e fidelidade pela exclusividade, relacionamos a exclusividade ao afeto, se você ama, ama e apenas pode amar com exclusividade. Poli-amor de forma alguma é um discurso de banalização sexual, pelo contrario, é a valorização do afeto incondicional e natural acima do sexo, torna-o periférico e o afeto se põem no centro das interações sociais românticas, para provar que você pode amar quem, como, quando e quantas pessoas quiser, sem que necessariamente haja interação sexual. Algumas pessoas te cativam pelo olhar, pela conversa, por quaisquer outro motivo, outras te cativa e chamam atenção pela interação sexual, um supri o outro cooperativamente, na qual o sexo é assessório e não-necessário, e o afeto é a pedra de toque para as interações sociais. O suprir não é afetivo, ou que remeta de alguma forma a carência, não, suprir nossas interações humanas pelo o que somos, só somos humanos por depender um dos outros para se criar uma sociedade. Não se faz sociedade por dois indivíduos como requer a relação conjugal no âmbito jurídico.

Enquanto a sociedade ser movida por sexo, e este ser o centro das relações românticas, toda relação romântica-sexual estará fadada ao fracasso e ao termino, como se o amor acabasse quando não houver mais sexo, ou sexo exclusivo…

Contribua para o debate, comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s